ode à ancestralidade sapatão (pra bru)
você não merece amor
afinal, ele é delicado
e aquele ninho
estruturado no topo daquela árvore
é bruto demais pra isso
você só merece amor
através das línguas que inventou
se escondendo do que
não poderia ter chegado à ponta da sua
pra
ser sapatão de verdade
você tem que conseguir
beleza no nefasto
completo desmonte dos arcabouços
da pureza ocidental
ser sapatão de verdade
você tem que conseguir
beleza no nefasto
completo desmonte dos arcabouços
da pureza ocidental
violar a maior fragilidade de todas
como a violência usada pramatar um inseto que te pousou
se lembre que não foi
o que você destruiu
que te trouxe até aqui
agradece à sombra, à brisa
ao que você viu cair
e sentiu na pele
agradece a ele,
aquele que não te merece.
agradece às vidas que carregam sua memória
afinal, somos medrosos
e dizem por aí que o medo
é o espelho da alma.
porque uma vez visto
não pode ser desvisto
e ninguém em sã consciência
discutirá a beleza de
uma cachoeira.
lembra que você já
tinha visto o futuro
mas confundiu
com pesadelo.
que seria aterrorizante
mas que você
se manteve vivo
até agora.
lembra que certas coisas
não precisam de explicação
não precisam de explicação
o mundo acabou
e são os úteros desse mundo
que vão continuar
apesar de nós
16 out 25embaixo da única árvore do campus

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